Sexta-feira, 27 de novembro, 2020

A cena de amigos e parentes compartilhando refeição comemorativa através de aplicativos usualmente empregados para realização de reuniões online é talvez apenas uma entre outras novidades referentes a práticas alimentares observáveis no período recente, de isolamento social.

Há muito não eram tantas as pessoas dedicadas a preparar refeições e/ou a consumi-las em casa. A logística do abastecimento doméstico, bem como a de higienização dos alimentos, estabelecida como requisito para o cruzamento – material e simbólico – da fronteira entre a rua e a casa, passaram a seguir uma série de novos protocolos, orientados por regramentos que condicionam a circulação de pessoas e coisas em espaços públicos, pelo controle da distribuição de bens considerados sob o risco de escassez ou, ainda, por medidas profiláticas acordadas no interior de cada grupo familiar ou de coabitantes.

Circulam histórias que remetem a origem da pandemia a alimentos ditos exóticos, consumidos por povos que vivem do outro lado do mundo, supostamente não sujeitos a práticas sanitárias prescritas como adequadas pela indústria agroalimentar.

Não tão distante, o fantasma da fome não apenas assombra, mas está integrado ao cotidiano de camadas cada vez mais amplas da população, ainda mais vulnerabilizadas com a privação de parcela significativa dos poucos recursos a que tinham acesso antes do advento da COVID-19.

Se há muito sabemos que a comida é boa para pensar, podendo a reflexão sobre as injunções entre alimentação e cultura, a partir da observação das práticas alimentares, ser tomada como ponto privilegiado para a apreensão de relações sociais, este suplemento da Revista de Alimentação e Cultura nas Américas – RACA se propõe a acolher contribuições que busquem, a partir de olhares dirigidos a múltiplos aspectos associados à comida, lançar luzes que nos permitam melhor entender nossas sociedades em tempos de pandemia.

Além de artigos e ensaios, serão também aceitas para publicação neste suplemento da RACA narrativas de experiências vividas (até 5 páginas) referentes à temática do dossiê.

Serão, ainda, bem vindas fotografias e/ou ensaios fotográficos que ilustrem o tema do dossiê (poderão compor seção específica e/ou a capa do dossiê).

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