Sexta-feira, 27 de novembro, 2020

Gloria Veronica Sammartino
Universidade de Buenos Aires

Na perspectiva de uma perspectiva descolonial, o objetivo deste artigo é identificar o jogo de visibilidades e invisibilidades implícitas nos processos de patrimonialização e etnomercantilização, como as emergentes tensões e alteridades nas práticas alimentares de setores estigmatizados e negados do global. sul. São apresentados três casos que emergem de diferentes estudos voltados para questões alimentares. No primeiro, destaca-se a emergência de alimentos e refeições “resgatados” para o mercado turístico, que em sua reestetização oculta a alteridade que remete às raízes indígenas e camponesas. No segundo, observa-se a reconfiguração das identidades alimentares a partir da circulação de alimentos imigrantes onde as marcas do racismo, da xenofobia e da reconfiguração mercantilizada das mesmas aparecem após o vigoroso boom que as refeições desta comunidade assumem a nível internacional. Na terceira, destaca-se o “saber fazer” dos grupos migrantes, que no novo contexto continuam a incorporar os gostos e sabores em que são reconhecidos como portadores e membros de uma comunidade que não desencadeia o entusiasmo como recurso cultural sobre a parte da sociedade receptora. Os três casos possuem elementos que corporificam e tensionam categorizações raciais historicamente construídas e legitimam relações de superioridade / inferioridade, reproduzindo legados coloniais que perpetuam a desigualdade social. Por fim, busca mostrar as conexões entre o patrimônio alimentar emancipatório e as estratégias no âmbito do direito à alimentação.

Leia mais: https://raca.fiocruz.br/index.php/raca/article/view/39

Comentários estão fechados.